Setor do aço pede medidas urgentes para proteger 13 milhões de empregos na Europa
Os empresários europeus do aço e metais alertaram esta quarta-feira que a Europa arrisca perder 13 milhões de empregos diretos e entrar num “processo acelerado de desindustrialização” se não forem rapidamente protegidas as cadeias de valor do setor.
Em comunicado, a Associação Portuguesa dos Grossistas de Aços, Metais e Ferramentas (Açomefer) e todos os membros da Federação Europeia de Distribuição e Comércio de Aço, Tubos e Metais (Eurometal) apelam aos governos nacionais da União Europeia (UE) e à Comissão Europeia para que “protejam as cadeias de valor europeias do aço e dos metais através de medidas imediatas e decisivas”.
“Sem uma resposta rápida, a Europa enfrenta um processo acelerado de desindustrialização”, avisam.
Numa petição que já reuniu mais de 300 assinaturas de empresas individuais de toda a Europa e de 35 associações nacionais do setor siderúrgico, no que destacam ser “um nível de consenso sem precedentes no setor”, defendem que “a Europa precisa de medidas comerciais eficazes, aplicáveis de imediato, incluindo tarifas para estabilizar o mercado europeu do aço e dos produtos intensivos em aço”.
Medidas que, enfatizam, “devem estar alinhadas com o nível dos instrumentos de defesa comercial já adotados por parceiros como os Estados Unidos e o Canadá”.
O apelo lançado esta quarta-feira sublinha ainda que as “alterações profundas no contexto geopolítico exigem ajustamentos nas políticas europeias”, num cenário marcado por “conflitos comerciais, concorrência desleal, aumento significativo de importações subvencionadas e custos de produção persistentemente elevados”.
Os signatários garantem “apoiar integralmente os objetivos climáticos” da UE, mas sublinham que a concretização dessas metas “só será possível com um quadro competitivo justo à escala global, que permita às empresas europeias descarbonizar sem perder competitividade internacional”.
Nesse sentido, defendem que “materiais e componentes estratégicos, como o aço, devem passar a ter requisitos claros de ‘Fabricado na EU’, acompanhados por preços de energia competitivos e por políticas industriais e laborais específicas que garantam segurança de aprovisionamento, inovação, descarbonização e proteção das capacidades industriais e dos postos de trabalho na UE”.
O documento alerta ainda que, sem medidas decisivas e imediatas, a Europa arrisca perder mais de 13 milhões de empregos diretos na indústria do aço e dos metais, setor do qual dependem ainda indiretamente até mais 65 milhões de empregos.
“Estas perdas criariam novas dependências face a países terceiros, pressionariam fortemente os sistemas de segurança social europeus e podem mesmo gerar agitação social, colocando em risco a estabilidade democrática do continente”, advertem.
Entre as medidas concretas defendidas pelo setor está um novo regime comercial que complemente as salvaguardas europeias ao aço, "com tarifas e contingentes pautais para derivados do aço e produtos intensivos em aço", e a extensão do Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço a esses produtos, “evitando a deslocação da fuga de carbono para segmentos a jusante”.
Ainda reclamadas são a priorização de bens e serviços produzidos na UE em regimes de contratação pública e financiamento e medidas de redução de custos, incluindo eletricidade industrial a preços competitivos, a revisão do sistema europeu de comércio de emissões e a redução da burocracia regulatória.
A assinatura da petição europeia está disponível através da página da Eurometal.