Portugal adquire 20 mil vacinas contra doença bovina

Portugal comprou 20 mil doses de vacinas contra a Dermatose Nodular Contagiosa (DNC), uma doença que afeta bovinos. O Governo espera não as utilizar, uma vez que é uma doença que se pretende erradicar.
Agência Lusa
Agência Lusa
15 abr. 2026, 11:20

“Comprámos 20.000 doses de vacinas e eu espero que nunca sejam utilizadas”, afirmou o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, em resposta aos deputados, numa audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Pescas.

O ministro explicou que esta é uma doença que se pretende erradicar e que, por isso, “não pode haver vacina sem existir um foco”.

Recorde-se que a 13 de março a Federação Nacional das Cooperativas de Produtores Pecuários (Fenapecuária) pediu uma “resposta preventiva robusta” contra a DNC, após terem sido detetados focos em Espanha.

“Na sequência da confirmação de focos de DNC em explorações bovinas em Espanha, a Fenapecuária alerta para o risco acrescido da introdução desta doença em território nacional e apela ao reforço imediato das medidas de vigilância e biossegurança”, lê-se numa nota divulgada.

Os produtores pecuários pedem uma “resposta preventiva robusta”, baseada no controlo, na monitorização dos efetivos e na aplicação de medidas de biossegurança e planos de contingência rigorosos, “particularmente em eventos que envolvam concentração ou movimentação de animais”.

Em fevereiro, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) esclareceu que não existem casos de DNC em Portugal, apesar de a água acumulada favorecer a proliferação de insetos.

Em Portugal, mantém-se em vigor o reforço da vigilância clínica e não se aplicam novas restrições a movimentação de animais.

A vacinação preventiva não é possível, sendo apenas permitida a vacinação de emergência em zonas de restrição ao redor do foco confirmado, bem como em áreas que confinam com estas.

A DMC, que afeta bovinos e certas espécies de ruminantes selvagens, como o búfalo de água, é causada pelo vírus da família ‘Poxviridae’, transmitido por insetos como moscas, mosquitos e carraças.

O vírus também pode ser transmitido através do contacto direto entre animais doentes e sãos ou através de água e alimentos contaminados.

No caso dos bovinos, a doença costuma manifestar-se com sintomas como febre, anorexia, salivação excessiva, corrimento óculo-nasal, diminuição da produção de leite e perda de peso.

Podem surgir lesões cutâneas na forma de nódulos e tumefações, com a taxa de mortalidade a rondar os 10%.