Autarquias unem-se para reabilitar rios Mondego e Zêzere

As Câmaras da Guarda, Celorico da Beira e Manteigas assinaram um protocolo de colaboração para a reabilitação dos rios Mondego e Zêzere que vai implicar “mais de 10 milhões de euros” em intervenções, nomeadamente, limpezas para retirar os destroços deixados pelas tempestades.
Agência Lusa
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14 abr. 2026, 08:19

“Este acordo é de uma importância estratégica muito grande não só para estes municípios, mas para toda a região e para o país, porque assumimos o compromisso de fazer os projetos e as candidaturas para investir milhões de euros em 87 quilómetros dos rios Mondego, que abastece Coimbra, e Zêzere, que abastece Lisboa”, afirmou Sérgio Costa, presidente da Câmara da Guarda.

A assinatura do protocolo de colaboração entre as autarquias de Celorico da Beira, Guarda e Manteigas para a elaboração do estudo prévio e do projeto de execução para submissão de candidatura ao aviso Centro2030-2024-38 decorreu ao final da tarde de segunda-feira.

Segundo Sérgio Costa, está prevista, além da limpeza das margens, “a reposição de metros e metros de zonas ribeirinhas arrastadas pelas recentes tempestades e a sua consolidação através da criação de bacias de dissipação para isto não voltar a acontecer tão depressa”.

Os parceiros vão também proceder à limpeza dos leitos, reabilitar os ecossistemas e renaturalizar as margens do Mondego e do Zêzere, através da criação de trilhos e percursos pedestres nos concelhos de Celorico da Beira, Guarda e Manteigas.

A ideia é valorizar e potenciar as zonas ribeirinhas destes dois rios que nascem na Serra da Estrela.

No rio Mondego, a intervenção irá desenvolver-se numa extensão de 51 quilómetros nos concelhos da Guarda e Celorico da Beira e incluirá ainda a criação de zonas de lazer, a melhoria da estrutura arbórea, a manutenção do bosque e o controlo de espécies invasoras.

Já no rio Zêzere, serão reabilitados 25 quilómetros nos concelhos de Manteigas e da Guarda com o objetivo de criar um corredor ecológico, implementar medidas de mitigação da erosão e conter as espécies invasoras.

“Podemos estar a falar em cerca de 10 milhões de euros ou mais no cômputo dos três municípios, porque as tempestades de fevereiro vieram agravar a situação”, disse o presidente da Câmara da Guarda.

Sérgio Costa acrescentou que os promotores esperam contar com uma comparticipação financeira de, “pelo menos 85% através deste programa do Centro 2030”, suportando os três municípios os restantes 15%.

Para Flávio Massano, presidente da Câmara de Manteigas, com este acordo os três municípios estabelecem “uma parceria para tratar um problema comum”, que é tornar os rios Zêzere e Mondego “mais amigos das pessoas que vivem nestes territórios”.

“Até há uns anos, não queríamos saber deles. Hoje não, muita da vida dos nossos territórios passa-se nos rios, estamos virados de frente para os rios e de mãos dadas com aquilo que é a sua biodiversidade”, considerou.

Flávio Massano lembrou também que sem rios cuidados “não há água potável para beber aqui, em Coimbra ou em Lisboa, para os nossos ecossistemas e para a nossa biodiversidade de montanha”.

“Estão previstas uma data de ações que vão permitir que os rios sejam transitáveis, palmilhados, usufruídos, que sejam, no fundo, a fonte de vida que nós queremos que eles sejam”, concluiu.

Carlos Ascensão, autarca de Celorico da Beira, reconheceu que, atualmente, os rios estão “muito abandonados” e que é preciso cuidar deles porque “temos aqui um manancial de enriquecimento do território fantástico”.

O autarca afirmou também que é preciso criar reservatórios de água, porque “no inverno temos muita e no verão temos muito pouca e é preciso guardá-la para termos água quando ela faltar ou escassear, como aconteceu em 2017”.