Casa do Comum celebra um ano de crochet coletivo

Entre linhas, agulhas e palavras, o projeto "Crochet Comum" junta dezenas de pessoas em Lisboa para criar peças artísticas em crochet, recuperar memórias e combater o isolamento social.

Vítor Quental
Vítor Quental Jornalista
Raquel Loureiro
15 abr. 2026, 08:00

Na Casa do Comum, em Lisboa, há um encontro mensal que vai muito além do crochet. O “Crochet Comum”, dinamizado pela artista têxtil Rita Teles Garcia, cruza a técnica manual com poesia e expressão coletiva. “É um encontro que tem por base o crochet, mas também as palavras, o texto, os poemas”, explica. A iniciativa começou, há um ano, a partir de um poema de Maria Teresa Horta e evoluiu para um espaço onde desconhecidos se reúnem com um objetivo comum: criar uma peça artística em conjunto.

Entre os participantes está Anabela Antunes, que encontrou neste grupo uma extensão da sua paixão de sempre. “Sou viciada em crochet desde menina”, conta, recordando como improvisava agulhas com varetas de guarda-chuva por não ter dinheiro para comprar material. Hoje, já reformada, dedica-se intensamente à prática e emociona-se ao ver o resultado coletivo. “Isto é paixão. É bonito, mas é só para quem gosta mesmo”, diz, enquanto observa uma das peças que ajudou a construir.

O projeto já soma mais de 60 participantes – com ou sem experiência em crochet – e de diferentes idades e áreas profissionais. Reflete um regresso às práticas coletivas e manuais, que, segundo Rita Teles Garcia, são cada vez mais necessárias não só para preservar tradições, mas também para promover a saúde mental, a ligação entre pessoas e a transmissão de saber.